Uma Mente Brilhante (A Beautiful Mind)

A realidade é simples, entrar, se transportar ou entender, o mundo de uma pessoa que sofre de desordem mental é ainda um desafio que vai muito além da nossa imaginação. É impossível dizer como uma patologia como a Esquizofrenia pode afetar o cotidiano desses indivíduos. O filme “Uma Mente Brilhante”, apresenta a emocionante biografia de uma pessoa que apesar de toda a sua inteligência sofre dessa psicose. A história, inspirada em fatos reais, é a vida de um dos maiores matemáticos do século XX, o professor acadêmico norte-americano Jonh Nash, vencedor do Premio Nobel em 1994. A trama tem início com a chegada do jovem Nash à Universidade de Princenton em 1947, seu isolamento social e a não participação das atividades básicas da instituição como assistir às aulas já chamava a atenção. Nash (que é vivido pelo ator Russell Crowe, indicado ao Oscar) tinha sua busca por uma “’idéia original” incentivada pelo espirituoso colega de quarto Charles (Paul Bettany). Essa procura ocorria a partir de fontes inusitadas e estranhas como o tipo de movimento dos pombos, dos jogos de futebol e até mesmo do roubo de uma carteira. A amizade com Charles, apesar do estranho comportamento social, é estreita e colabora para a apresentação da genialidade de Nash nos cálculos. É claro, apesar dos indícios de anormalidade nos relacionamentos, que Nash, como qualquer outro acadêmico intelectual ou não intelectual, pretende se firmar a partir de uma descoberta que possa eternizar seu nome. Deslumbramos, com essa busca um pouco daquilo que existe dentro de cada um de nós alunos, uma luz de grande intensidade, que quer se fazer notar. Esse desejo, quase compulsivo, de ser um agente transformador, mas que por vezes não sabe exatamente como ultrapassar as barreiras. É em uma conversa de bar que Nash encontra a inspiração para a sua “Idéia Original”, uma teoria revolucionária com aplicação à economia moderna que contradizia 150 anos do reinado de Adam Smith na área. Ao terminar seu curso de matemática, em recompensa por suas teorias e pelo brilhantismo na área, John Nash foi convidado a trabalhar no MIT (Massachussets Institute of Technology), o mais conceituado de todos os centros de pesquisa na área de matemática e engenharia dos Estados Unidos. Além de suas pesquisas, Nash foi convidado a dar algumas aulas, o que, para ele, era um verdadeiro desafio já que as considerava perda de seu tempo e a dos alunos também. É quando conhece sua esposa, Alicia (Jennifer Connely, que em uma bela atuação foi premiada com o Oscar de melhor atriz), uma linda jovem que se sente seduzida pelo professor bem sucedido e inteligente. Com participação marcante e decisiva, Alicia acaba por se tornar um verdadeiro anjo da guarda com a revelação dos grandes dramas da esquizofrenia de Nash. Muito do que imaginava ser seu trabalho, muitas das pessoas mais importantes em sua vida, como o “melhor amigo Charles” nem ao menos existiam. Foi apenas sua obstinação, resiliência e inteligência, somadas ao amor e dedicação incondicional de sua esposa que permitiram a Nash superar as adversidades da esquizofrenia. Essa superação e a conquista de uma vida quase normal lhe permitiram realizar a descoberta que lhe rendeu o prêmio Nobel. É um filme que nos trás um pouco da dura realidade do sofrimento causado por uma patologia seja ela oriunda da psicose ou não. A ausência da dor física trás o sofrimento aos doentes da alma e principalmente é de difícil diagnóstico. O que denomino uma “psicose” não é uma doença. É um comportamento aprendido, exagerado até ser irremediável, isto é o ponto em que se perde o controle, e o comportamento exagerado “assume temporariamente uma vida própria”. Como esse exagero é esmagador e vai além de nossa capacidade normal de assimilar acaba por causar grande sofrimento, que é a esquizofrenia. Ao entramos em contato com a experiência de Nash, percebemos que o que de certa forma o auxiliou na superação de suas crises foi o esforço bem sucedido e principalmente o trabalho conjunto do próprio Nash, e de sua esposa. Um filme emocionante e recomendado para nós acadêmicos de psicologia que precisamos encontrar forças para os desafios que a clinica nos trará. Uma Mente Brilhante (A Beautiful Mind) País/Ano de produção: EUA, 2001 Duração/Gênero:- 134 minutos, drama. Direção de Ron Howard Roteiro de Akiva Goldsman Elenco:- Russell Crowe, Ed Harris, Jennifer Connelly, Paul Bettany

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